A Blogueira

10670118_843348435696749_6532623841350416984_n   Como muitos de meus colegas de profissão a cozinha está presente na minha vida desde a infância…  Nunca foi apenas mais um cômodo, na minha família a cozinha tem alma,  vida, é membro da família. Juro que nas minhas noites insone enquanto perambulo pela casa, posso ouvir sua voz, aos sussurros, tramando o que vem a seguir.

Em casa, com minha mãe e meus muitos irmãos ou na casa de minha avó a cozinha sempre foi o ambiente mais usado por todos,  espaço de de comunhão, de reunião, de conflitos…

Minha mãe e minha avó são, sem a menor dúvida, as minhas maiores influencias. Com minhas duas mulheres preferidas aprendi que a comida deve ser antes de tudo saborosa e nutritiva, honesta. Família grande, mesa farta.

Mas para ser sincera foi na fazenda de meus avós que fiz meus primeiros registros emocionais importantes relacionados a comida.

Ali colhíamos o milho para fazer pamonha, prensávamos o queijo, cozinhávamos o requeijão. Com ela, D. Cida, aprendi a importância e a origem de tudo,  aprendi o valor de cada detalhe, de cada etapa, aprendi a respeitar o tempo e os processos.

Ainda hoje se fecho os olhos e me concentro só um pouquinho, posso sou sentir os aromas, ou  ouvir o estalido o fogão.  A goiabada borbulhando no tacho de cobre,  o fogão a lenha, e eu tão pequenininha em frente as chamas.

Talvez a mais divertida e marcante lembrança sejam as idas ao “mangueiro”, acompanhar a ordenha das vacas.

O frio da serra paulista não impedia as duas irmãs de saírem de casa armadas com suas canecas acompanhando o tio que saía para tirar leite, cedo demais até para o sol.  Era puro delírio e meu tio Wilson o maior dos heróis. Ele separava a vaca do rebanho, levava para o curral, amarrava, limpava… E depois, com mãos ágeis e precisas, fazia com que o jato branco e perfumado saísse daquelas tetas assustadoramente grandes e estalassem no fundo do latão. Ficávamos as duas encostadas na cerca, solenes, esperando o chamado. As canecas eram cheias com o liquido morno e cremoso e esvaziadas em poucos minutos…

Não tenho como descrever como essas pequenas  aventuras de crianças foram decisivas nas minhas escolhas de adulta. Ainda hoje quando entro na cozinha sou a mesma menina de olhos arregalados esperando ansiosa minha caneca de leite…

Aprendi não só a respeitar como a reverenciar a profissão de cozinheiro, a comida, o ato de alimentar o outro, de nutrir… E esse respeito pelo que faço é meu principio básico, meu norte, minha guia.

Coloco o melhor de mim em tudo o que faço.  Minha comida é produto de estudo e técnica também, mas antes de tudo é fruto de amor e instinto, de dedicação e inspiração.

Meu espírito é inquieto e  sempre tem espaço para algo novo, então quem sabe? Tudo pode rolar nas páginas desse papo ou nas páginas de minha vida… Compartilharei com meus leitores sempre que for possível.

Por enquanto fico por aqui… Sempre em movimento como a cozinha da D. Cida… E da D. Sonia…

ABRAÇOS CARINHOSOS A TODOS!!!

P.S.: Minha avó querida, amo você hoje e sempre. A saudade que sinto é imensa…

6 thoughts on “A Blogueira

  1. Ai, Ina, saudades de todas as mulheres dessa família (e não só) – e na cozinha, de preferência, todos abarrotando o espaço e depois à mesa, comendo, comendo e falando sem parar!

  2. amei ler eu texto, me fez voltar a infancia, e rever todos este momentos de felicidade com sua mãe, seus tios e tia, e avós. Saudade dos sorvetes do tio Zé Costa e da tia Cida. Saudade das brincadeiras com sua tia Neuzinha e com o querido e saudoso Valter. Boas e carinhosas lembranças, que levamos no coração para todo o sempre. foi muito bom recorda-las, enquanto me deliciava com o seu texto. Nossa familia possui um acervo maravilhoso de histórias, por isso é sempre bom nos reunirmos. bjs…

    • Que bom que vc gostou!
      Sempre que estou na cozinha tenho “altas conversas” com a vó Cida… Tenho a certeza de que ela está sempre ao meu lado contando suas infindáveis histórias.
      Os melhores momentos da minha infância foram em companhia dela e dos tios, em especial do Valter, do Wilson e do Rui, que estavam sempre conosco… Tenho um carinho enorme por essa família, e mesmo longe fisicamente sempre carrego todo mundo juntinho no meu coração.
      abs grandes

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s