I BRINCANDO DE CHEF – BRASÍLIA

Adoro pamonha desde criança, mas nenhuma jamais foi mais gostosa do que as que comíamos na casa de meus avós. Lá, para que pudéssemos rasgar as úmidas folhas de milho e nos deliciarmos com aquele tesouro amarelo, um longo caminho tinha que ser percorrido. Para mim e minha irmã era o início de mais uma aventura. Acompanhávamos meus tios e meu avô no milharal, colhíamos, descascávamos e escolhíamos as espigas mais macias. Depois eu e minha irmã arrastávamos, cheias de orgulho, um balaio, grande demais para nós duas, até a cozinha. Lá minha avó dava as ordens. Sentadas em um banquinho tínhamos que tirar todo o “cabelo” do milho. Limpinhas as espigas, minha avó começava o preparo, ralar, cozinhar com açúcar, embalar nas folhas mais macias… O cheiro do milho verde fresco até hoje me faz voar de volta até aquelas dias.
Aquele era um tempo em que sabíamos que a comida não chega ao nosso prato por mágica. Sabíamos que nossas refeições não saiam prontas do freezer em embalagens de isopor ou papelão. E o microondas (ai como detesto o microondas!) era algo de que nunca tínhamos ouvido falar.
As demandas de hoje são outras e a praticidade é um imperativo. O homem primitivo descobriu o excedente e com ele o ócio. O homem moderno, ironicamente, acumula cada vez mais e desfruta cada vez menos. Tempo agora é um bem precioso, valorável. E para que possamos ocupar cada vez mais cada um de nossos preciosos minutos, precisamos manter nossos rebentos igualmente atarefados. Aulas de piano, natação, reforço escolar, inglês, colégio, tarefas do colégio, teatro… Ufa! Algumas crianças têm agendas tão cheias quanto a de qualquer executivo. E quando a família finalmente se reúne em casa, à noite, alguma coisa congelada, de aspecto duvidoso, que poderia tanto ser uma lasanha como um yakissoba, sai do freezer direto para o microondas e de lá para os pratos. Em alguns casos, os piores casos, seu conteúdo é ingerido automaticamente, frente a TV, sem que ninguém realmente fizesse idéia do que esteve ali.
A cozinha, para maioria das crianças de hoje, é um ambiente cheio de mistérios e perigo com o qual não têm a menor familiaridade. Bem da verdade é que muitas mães hoje também não têm.
Estamos sempre a procura da perfeição, eternamente insatisfeitos, a gratificação por nossas conquistas não dura muito mais que uns instantes. Logo temos um novo projeto, novas metas, tentando sempre provar sabe Deus o que e sabe Deus para quem. E o pior é que nossos filhotes são arrastados para nosso redemoinho de efemeridades e cada vez mais deixam de ser o que deveriam ser: crianças.
Ao levar a criança para cozinha existe um sem número de opções de aprendizado. Quando interpreta a receita a criança aprende sobre quantidade e proporção, exercita o raciocínio seqüencial. Moldando biscoitos ou montando sanduíches eles desenvolvem a coordenação motora fina. Noções de higiene, de nutrição, de trabalho em equipe… E mais, muito mais… Mas sabe o que, quando eu levo uma criança para cozinha quero que ela exercite principalmente uma coisa: a infância. 
Se sujar de farinha, rir, compartilhar um momento divertido com seus pais e amigos… Quero ver seus rostinhos sujos e felizes de admiração e espanto ao se perceberem capazes de preparar para si mesmos sucos e biscoitos.
Acho que é isso… Minha cozinha é um espaço para a criança, antes de tudo, poder ser criança, e mais do que isso, ser uma criança feliz.
Compartilho com vocês as fotos da nossa primeira aula em Brasília do meu projeto mais querido, o BRINCANDO DE CHEF. Aprender pode ser uma delícia!!!

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