Sabores e saudades

A memória é algo muito curioso, muitas vezes tentamos lembrar de algo ou alguém de nosso passado mais recente e por maior que sejam nossos esforços não conseguimos. Outras vezes, sem saber a razão, lembramos de coisas do “arco da velha” tão vívida e nitidamente que parece que foi ontem.  É como um gatilho, sabe, uma música, um foto, um cheiro, um filme… Qualquer coisa pode disparar nossas lembranças e acabamos por reviver muito desses momentos idos.

Eu, como alguém que adora comer, acabo associando muitas das minhas mais ricas recordações a sabores e aromas. Mas é curioso como outras pessoas, que viveram conosco o mesmo acontecimento podem não saber que vivem em nossa memória junto com o aroma de café, ou até de uma singela bala de menta.

Por isso registro aqui, para que alguns de meus amigos saibam que gosto têm. 🙂

Deixei no Sul amigos muitos queridos os quais fizeram de minha temporada por lá uma época muito especial e transformadora.

Na faculdade minha turma de colegas tinha pelo menos dez anos menos que eu. Um principio complicado e de mútuo estranhamento. As barreiras duraram pouco e logo tinha um grupo maravilhoso a volta de minha mesa, para longas tardes e noites de estudos regadas a café, bolo, cookies, doritos, pipoca com queijo ralado e fanta uva! Coisa que só estômago de estudante aguenta, mas sabores que estão inevitavelmente ligados a eles em minha memória. Assim queridos Thamayra, Carol, Dahia, Cinthia e Milach, para mim vocês sempre terão gosto de Doritos com Fanta Uva e café. E também têm gosto de jovialidade, de companheirismo e de sorrisos divertidos. Amo vocês.

A Andrea, também da faculdade  e a única, além de mim, que já leva uma vida adulta na plenitude de suas atribuições, é a maior guerreira entre nós. Para ela será dedicada a receita de lasanha vegetariana que postarei na sequencia. Você merece tuuuudo!

Fandangos com guaraná…. A Lu. A maior bixo-do-mato que já conheci, mas uma das pessoas mais incríveis também. Livros, maridos, filhos, projetos, angústias, neuroses, fandangos e guaraná. Tardes falando tanto que as palavras se atropelavam e um assunto começava imendando-se no anterior em uma conversa sem pontos nem vírgulas.

Mirna, café árabe com borra e doce de semolina, ou namura. Aprendi com ela segredos da cozinha árabe que não se ensinam nas escolas. Aprendi também sobre a dura vida do imigrante obrigado a viver tão longe da família. A angústia em razão dos eternos combates a que seus entes queridos estão expostos e que para nós está tão distante que parece ficção. A dificuldade de se “ocidentalisar” e facilidade de falar em cinco idiomas em uma mesma conversa.

E a Maka, com quem trocamos desde suspiros pelo Eduard Cullen até pareceres sobre nossos projetos de vida mais importantes. E café, sempre café, com qualquer coisa, mas café. Grande companheira, grande amiga… muito além das circunstâncias.

Então, meus amores do Sul, vocês já sabiam do espaço enorme que ocupam em meu coração, agora sabem que gostos têm. Amo vocês. A propósito, a saudade no fim sempre deixa um gosto amargo, que amarra da boca. Saudade é uma fruta verde.

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3 thoughts on “Sabores e saudades

  1. Sabe, eu sempre preservei o melhor de todas as pessoas que cruzaram minha vida, mas de tí, eu acho que preservo tudo, as conversas alegres, os momentos de estudo, de cinema, de cozinha, as perecências como o gosto por café, os momentos de seriedade, a opinião própria que nunca fica de fora de um assunto, nós simplesmente não conseguimos nos calar… qualquer direfença desaparecendo no momento em que passamos a nos enxergar com o coração…sempre que a tarde venta, que o frio aumenta e que sinto uma vontade enorme de conversar e tomar um café, é tua imagem que me vem à cabeça, é na sala da tua casa que eu penso, nas crianças correndo e me mostrando alguma coisa, em todas nós reunidas onde o assunto varia do útil ao fútil…a saudade não acaba, nem diminui, ela se adequa à nossa rotina e se apega aqueles minímos detalhes passados, como uma forma de manter as lembranças vivas e apaziguar o coração.
    Se me um dia me perguntarem o que eu aprendi na faculdade, eu direi, além daquelas coisas normais e repetidas que todos dizem, é que um amigo não precisa estar sempre perto para ser importante, e que sua presença continuará sempre em nossa vida, no pacote de salgadinhos, nos filmes de terror, na calculadora científica, e no aroma inconfundível do café…e que para os amigos de coração, nunca haverá um adeus, mas sim, um até a próxima visita!!!!!
    Ah, e já ia me esquecendo…amiga…eu amo vocês!!!!!!

    • Aos amigos pernambucanos…
      Cheiro de mar… comidinhas árabes, waffles (de preferência os doces…) e creps… e musica alta, muita musica alta, e cheiro de noites quentes no litoral. Amores que presenciaram a grande virada, quando a gastronomia tomou conta… bjs

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